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Porquê Valência? Talvez por influência de recordações, mas as imagens da prova ajudaram muito, e foi uma boa escolha esta cidade mediterrânica. O dispositivo logístico da prova está centrado na bonita e moderna Cidade da Ciências e das Artes construída recentemente sobre o antigo leito do rio Turia. Foi uma decisão estratégica muito bem sucedida, Valência desviou o rio que desde sempre passou pelo centro da cidade e no seu leito e margens estão hoje espaços de qualidade para exercício físico e lazer. A Expo Deporte no Museu das Ciências, estava bem composta com expositores de inumeros paises representados incluindo a Madeira, onde tivemos a oportunidade de saborear uns saborosos bolinhos e informaçoes acerca da prova do Funchal a realizar-se no final de Janeiro, após levantar o dorsal nº 12303, levantei a bolsa com a t-shirt “Correr no és lo mismo que correr en Valencia”. Muito bem organizado, logística e divulgação, incluindo 1 revista de 16 páginas com as "Últimas instruções". Prova práticamente plana, em Valência é fácil obter um percurso plano, muito participada, esta Maratona é uma das maiores da Península Ibérica, com 16435 inscritos e 14065 finalistas. Com cerca de 5000 participantes estrangeiros de 88 países diferentes, dos quais 61 portugueses. Em paralelo á Maratona decorria a prova de cadeiras de rodas e a corrida de 10 kms. Particularidade organizativa: A Maratona e a prova de 10kms eram simultâneas, fazendo percursos próximos, mas os participantes nunca se misturavam. Ao longo do percurso, fora das zonas centrais, haviam poucos apoiantes, mas as zonas centrais estavam cheias de apoiantes, incluindo muitos estrangeiros que se deslocaram a Valência. Antes da partida, 1 minuto de silêncio pelos atentados de Paris e logo após, partiu a prova de cadeira de rodas. Passado algum tempo ás 9:00 em ponto todos os atletas que estavam registados com objectivos de concluir a prova entre 3:00a 3:30 e ás 9:06 a partida de todos os restantes atletas. A minha corrida foi feita sem grande stress, fui monitorizando o corpo e com olho no pacer dos 3:30, com calma até ao km 10, a partir dai tentei manter uma passada entre os 4:50 e os 5:00 o km, o trajecto passava pelo centro histórico, do antigo Reino de Valência assim como nos principais monumentos da cidade, bons abastecimentos de 5 em 5 km, muitos pontos de animação, seja com música, seja com percussões, percebi que boa parte dos grupos são das "Comissões Falleras" (da famosa festa tradicional valenciana). Os últimos 2 kms é a parte mais bonita do percurso, com milhares e milhares de apoiantes que incentivavam os atletas até chegar á Cidade das Artes e Ciência. Aqueles lagos e todas aquelas pessoas é simplesmente espetacular, assim como na reta final o estrado de madeira montado para esta prova sobre o lago em frente ao Museu das Ciências até à Meta. Passei a meia maratona com o tempo de 1:42:23 e terminei com o tempo de 3:25:23.
Classificação Geral: 3077 de 14065 atletas. Por escalão Veterano E + 55 anos: 60 de 532 atletas. De salientar tambem que foram batidos os recordes da prova e de Espanha, com os tempos de 2:06:13, pelo keniano John Mwangangi. Tambem foram alcançados varios objectivos, alcançando minimos para os Jogos Olimpicos.

Ficam aqui as recordações desta bela Maratona.

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publicado por Zé às 16:56

06.04.15

 

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Esta foi uma prova preparada desde Janeiro 2015, depois de 2 anos passados desde a última Maratona em que participei, surgiu esta hipótese de correr numa cidade que nunca tinha visitado, mas que é de fácil acesso via aérea e tem voos directos da cidade do Porto, Porto-Milão em pouco mais de 2 horas. Visitar Milão é uma experiência que todos deveriam ter, é uma cidade muito desenvolvida com edifícios grandes e muito movimentada, considerada a capital da moda é também um dos grandes motores da economia europeia. E assim foi, dois dias antes da prova apanhamos o voo para Milão. A viagem decorreu dentro da normalidade sem atrasos de maior. Chegamos ainda de manhã, ao aeroporto de Malpensa e fizemos a ligação comboio/metro até Milão. Tentei reservar um Hotel perto da zona da meta para não perder muito tempo no final da prova, neste caso optamos pelo Hotel NH Collection Milano President. O que resultou numa excelente escolha não só pela localização, perto da Catederal de Milão (Duomo di Milano) e das gallerias Vittorio Emanuele II, mas também pelas óptimas instalações, simpatia etc., excelente em todas as vertentes. Depois de fazer o check-in, fomos visitar a feira da Maratona e levantar o dorsal, decidimos caminhar desde o Hotel á feira, pois estava um dia maravilhoso e assim aproveitávamos também para nos ambientar com esta cidade cosmopolita, pois dois dias para conhecer essa cidade tão grande e importante é muito pouco, não foi fácil encontrar a dita feira, pois pouca gente conhecia o endereço e muito menos que iria decorrer uma Maratona. Deparámo-nos com uma feira pequena, deprimente, com poucas marcas representadas, talvez uma das mais medíocres que já encontrei ao longo de todos estes anos. De regresso ao Hotel para tentar descansar um pouco da viagem e tentar restaurar um pouco as forças. Sábado estava uma manhã excelente e convidativa para conhecer a cidade. Pegamos no mapa oferecido pelo Hotel, compramos bilhetes de autocarro Hop-on Hop-off e passamos o dia a conhecer cidade, e a visitar todos os monumentos a que pudemos ter acesso até ao final da tarde, desde o Castello Sforzesco, Palazzo Lombardia ao estádio San Siro etc.etc. tendo percorrido as três linhas turísticas com cerca de 30 pontos de interesse.Maratona de Milão 2015. Domingo despertei pelas 6h45 para tomar o pequeno-almoço e iniciar o ritual habitual que antecede a Maratona tentando nada esquecer, para não chegar atrasado á linha da meta, pois nestes momentos a ansiedade e o sistema nervoso dá sinal de presente. O calor já se fazia sentir, perto dos 18ºC e ao longo da prova ultrapassou os 25ºC.    

Soa o tiro de canhão para os 4002 Maratonistas, começa a prova e decido partir com cautela, tento rodar nos 5’00” por km, pois é esse o objetivo, concluir a prova se possível dentro das 3h 30m, pois estou sem ritmo competitivo desde o inicio da ultima Maratona em 2013, tendo ultimamente participado em Ultra Maratonas resultando em mais resistência mas menos velocidade e o factor idade também a contribui, são mais 2 anos! mas como sempre o objetivo principal é terminar. Sinto-me bastante bem, passo a meia Maratona dentro do previsto 1h 43m aproximadamente , tento manter o ritmo mas a partir do km 30, começo a ter bastante dificuldade em manter a mesma passada, o calor também não ajudava pois ultrapassava os 25 graus o que tornava a missão ainda mais penosa e o meu corpo começou a quebrar violentamente. Ainda tentei recuperar aumentando a ingestão de líquidos e um gel energético nos abastecimentos dos 30 aos 35 km, mas sem resultado. E os últimos 5 km foram muito difíceis. Recorri ao plano B, que é a parte mental e fui estabelecendo pequenos objetivos que me permitiram ganhar km a km. Tenho sempre como lema, nunca parar e tentar superar as dificuldades que vão surgindo sempre em movimento até ao ultimo metro. O pior desta batalha foi sem dúvida ver passar os pacers (marcadores de ritmo)das 3h 30m ultrapassar-me nos últimos 200 metros da recta final e não conseguir ter energia suficiente para os acompanhar, mas quando visualizei a meta esqueci o cansaço por completo e tentei desfrutar o misto de emoções fortes e inexplicáveis que só um Maratonista sabe interpretar!

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publicado por Zé às 16:39

02.10.14

 5ª Madrid-Segóvia 102 km - GOLD EDITION

20 Setembro 2014

Escrever esta crónica não é tarefa fácil, pois milhares de sensações e emoções estão misturadas no momento de colocar em papel aquilo que decorreu nestas 14 horas. A partida dá-se às 8:30 na Plaza de Castilla, onde cerca de 1200 atletas se preparam para percorrer 102km entre Madrid e Segóvia, o tiro de partida e inicia-se a um ritmo bastante elevado, mas geralmente no inicio rodeado de tantos atletas com a adrenalina em alto, por vezes esquecemos que temos ainda muitos kilómetros pela frente, km16 primeiro abasteçimento, sinto-me bem, carimbo o rutómetro e sigo em direcção a Colmenar Viejo km26.2, o terreno é plano a temperatura está óptima e vamos desfrutando da paisagem cruzando-nos com vários peregrinos a caminho de Santiago de Compostela que nos vão desejando sorte, em Colmenar Viejo, mais uma vez reabasteçemos os bidons de agua, e tentamos sair o mais rápido possível, da cidade, pois chegando á ponte medieval no Km34 sem problemas de maior, Mataelpino no km50 é um referência, tendo em conta que metade da prova estará concluída, até aqui tudo bem, pois chegamos com 5h e 15m aproximadamente o que é óptimo e nos dá confiança para enfrentar os restantes 50% da distância, agora tentei chegar da melhor maneira possível a Cercedilla no km63.5, o próximo abastecimento de líquidos e sólidos e para onde tinha enviado a mochila com o material obrigatório exigido pela organização, mas não foi tarefa nada fácil, pois começei a ter caibras sucessivas nos gémeos que se iam agravando km a km, a ponto de quase me ser impossível caminhar, surgindo sérias dúvidas se conseguiria chegar a Cercedilla, tive que reduzir o ritmo e caminhar aos poucos, sentimentos negativos a invadir-me, questionando-me se conseguiria lá chegar, sendo este um ponto chave, aqui poderia descansar um pouco, lamber as feridas e dentro do possível tentar recuperar algumas forças para o verdadeiro desafio que se aproximava, subir 15km até ao alto de La Fuenfria. Foi com muito sacrifício que lá cheguei, hidratei-me, alimentei-me o melhor possível, cuidei das dores que começavam a surgir nos pés, etc. etc., a situação estava a ficar feia, tentei afastar estes pensamentos negativos da cabeça, mas já que tinha chegado a este ponto era hora de ganhar coragem e tentar chegar ao alto da serra com 1800 metros de altitude aproximadamente antes de anoitecer, não ia ser tarefa fácil com uma mochila de 5kg ás costas, iniciei a subida na companhia de alguns atletas ora a caminhar ora a trote pois em determinados troços era quase impossível correr devido ás irregularidades do terreno, km a km lá fui subindo cruzando-me com várias pessoas que nos incentivavam (animo que já faltava pouco), mas as subidas sucediam-se uma após outra e o percurso pareçia interminável, para agravar as os pés começaram a dar sinal de si, uma bolha no pé direito e uma unha já em sangue no pé esquerdo estavam a dificultar imenso esta aventura, e ai sim, pensei seriamente que ia ser muito difícil chegar ao alto da serra e mais difícil ainda seria concluir o percurso até Segóvia, tinha que sofrer, esquecer as dores, seguir em frente, correr com o coração e assim foi, passada a passada ao fim de 4h finalmente vislumbrei uma luz o tão desejado abastecimento no alto da serra e ai pensei, é possível vou conseguir, enchi-me de coragem agora com mais um esforço vou ser capaz! estava frio e a noite aproximava-se, aqui já muito mais animado pensei, agora é sempre a descer até Segóvia, iniciei a descida a trote com muitas dores mas com um único objectivo traçado, não desistir e assim fui descendo aquela montanha medonha, que parecia infinita, por fim consegui superá-la e agora o próximo obstáculo era a Calçada Romana em pedra com muitas irregularidades, traçado muito técnico e que tem que se utilizar muita cautela pois aqui uma queda poderia ser fatal, com a calçada romana superada já se vislumbrava Segóvia ao longe, neste momento surgiu uma dupla de atletas correndo a um ritmo bastante veloz decidi tentar acompanhá-los, consegui, fomos ultrapassando inúmeros corredores nesta fase final que nos iam incentivando, desejando boa sorte e dizendo mais uma vez que já faltava muito pouco, fui ganhando ânimo, neste momento todo o sofrimento e incertezas evaporaram-se como por artes mágicas, as luzes da cidade a ficar cada vez mais perto e finalmente Segóvia, entrei nas ruas da cidade, correndo como se estivesse a iniciar, as dores, as bolhas o cansaço tudo que me tinha atormentado até aqui, simplesmente desapareçeu, dando lugar a uma alegria indescritível, e finalmente a meta. Repleto de emoção, sentindo aquela alegria inexplicável que nos turba a visão e nos deixa aquela sensação impar de superação, cortei a meta, abraçei o meu filho e genro que me esperavam e gritei, CONSEGUI!.

publicado por Zé às 16:07

19.05.13

A Maratona de Copenhagen na Dinamarca, é uma das 10 mais populares do mundo, é uma Maratona excecional, desde a organização ao publico o que é simplesmente fantástico. A Maratona começa e termina na ponte Brygge, uma área do Porto de Copenhagen. O prazo para realizá-la é de 6 horas. Terra do escritor Hans Christian Andersen, Copenhagen é uma das cidades com melhor qualidade de vida do mundo sendo também conhecida por ter os habitantes mais felizes do planeta. Cerca de 36% da população vai diariamente para o trabalho de bicicleta, com previsão de subir para 40% até 2014 e 50% em 2016. O tiro da partida deu-se Domingo às nove e trinta da manhã, debaixo de chuva intensa e muito frio desde o inicio á meta, tendo o dia anterior estado um tempo magnifico e muito calor rondando os 28 graus, até a organização chegou a anunciar a abertura das piscinas a titulo excepcional, pois só em meados de junho costumam abrir ao publico, para todos os atletas que pretendessem refrescar depois da prova o que não veio a acontecer pois em menos de 24h a temperatura alterou-se radicalmente. O percurso da prova é basicamente plano, mas com muitas curvas e diferentes tipos de piso que desgasta não só a nível físico como psicológico o atleta, decorre em grande parte dentro da cidade, com cerca de 8 km ao longo do rio mas também há que salientar o publico fantástico dinamarquês que apoia interruptamente os atletas durante grande parte do percurso e também a muita animação de bandas, dança e música ao vivo, em vários pontos especiais dedicados aos espectadores, destacando á passagem dos 21km a estátua da Pequena Sereia, a Casa de Ópera, o Palácio de Amalienborg, a Opera House, Nyhavn e o Castelo Rosenborg. Não há dúvida que a Dinamarca ficou conhecida pelos castelos de contos de fadas espalhados pelo país  e pelas aventuras de Hans Christian Andersen, mas a Dinamarca também tem muito a oferecer em relação ás  belezas naturais, Copenhagen por exemplo é cercada de parques e lagos lindíssimos, super bem cuidados. A Maratona de Copenhagen foi realizada pela primeira vez em 1980, foi uma das Maratonas que mais me marcou não só pela beleza da cidade como pelo rigor e pelo empenhamento da organização que se empenha para que nada falte aos atletas desde os pontos de abastecimento às novas tecnologias ao dispor de todos os Maratonistas. É uma Maratona que conclui dentro das minhas expectativas em que dei o meu melhor, alias como em todas, pois a Maratona é uma prova de imprevisibilidades única em que tudo pode acontecer pondo á prova as nossas capacidades físicas e mentais, o que torna o desafio tão aliciante. É uns pais que deixa saudades e uma prova que gostava imenso de repetir, pois identifico-me muitíssimo com a mentalidade dos povos nórdicos.

 

DIPLOMA


17.09.12

Depois de uns meses desde a última Ultra Maratona, decidi pela primeira vez participar numa Maratona de Montanha a de Penedos do Lobo na província de Ourense-Galiza, que decorre nos arredores da estância turística cabeza de Manzaneda, o que nunca me ocorreu é que fosse tão dura, pois na minha opinião é mais uma escalada para alpinistas do que uma corrida, considerando que não tem mais que 15% 20% do trajecto onde se possa correr, uma prova que recomendo a quem queira testar os seus próprios limites físicos e psicológicos, (eu pelo menos testei os meus e não foi fácil para conclui-la, na minha opinião faz com que uma ultra de 100km pareça uma brincadeira de crianças) é uma prova com uma dificuldade técnica alta, acumulando um desnível positivo e negativo de 3.278 metros, com o ponto mais alto situado a 1.790 metros de altitude. Aqui vos deixo algumas fotos e a descrição do itenerário como vem descrito no diploma.


Partiendo del marco incomparable de la Estación de Montaña Manzaneda, y recorriendo los belos parajes de A ESCRITA e PORTELA DAS MERENDAS, cruzando luego el terrible Cortafuegos para llegar al ALTO DO BOVAL y CABEZA DOS BOIS, comenzando luego el descenso hacia el pueblo abandonado de PRADA, hacia PARADELA y REQUEIXO, a través de los CURROS DE SOUTELO y LENGULLO y bordeando los precipicios de AS AGUILLADAS, a lo largo de 42.195 metros, finalizando de nuevo en la Estación de Manzaneda tras franquear los temibles PENEDOS DO LOBO.


 

RESULTADOS VETERANOS

publicado por Zé às 21:03

29.04.12

 

    

  101 KM PEREGRINOS, EL BIERZO 2012

 

As provas de longa distancia, tem alguma coisa que não dá para explicar, depois de tantos anos a participar em provas de curtas distâncias nomeadamente minis e meias maratonas, resolvi empreender em provas diferentes começando pelas Maratonas, mas cá dentro ansiava por fazer provas de longa distância. Embora a Maratona para mim já não fosse um "bicho-de-sete-cabeças", pois já lá vão 15 em que participei e terminei, na realidade pretendia ir mais longe. Ser um ultra trail e ultramaratonista! Então o ano passado fiz a minha estreia nos 100km /24h de Madrid e desde então não resisti á tentação de participar novamente numa prova com cateterísticas diferente, mas mais exigente e é ai que me decidi pelos 101km Peregrinos que é uma prova de ultra trail pontuável com 2 pontos para o Ultra Trail du Mont Blanc. Nesta participam em larga maioria BTTs mas com Duatlo e Marcha, todos com o mesmo objectivo, concluir a prova em menos de 24 horas. Como podem imaginar é uma luta desigual, pois não é o mesmo correr 101km marcha, que em bicicleta, é uma prova duríssima com desníveis acumulados de 2800m, por caminhos de Santiago de Inverno com paisagens ao longo do percurso simplesmente deslumbrantes, mas o percurso devido ao relevo natural da região e às centenas de bicicletas que passam antes dos atletas, nas partes mais baixas formam-se autênticos lamaçais em grande parte do trajecto, que o torna quase intransponível e perigoso, o restante é praticamente subidas ingremes, mas eu já vinha mais ou menos mentalizado para o que me esperava, nesta prova tive três fases distintas, a primeira até ao km 40, senti-me bastante bem marcando o cronómetro 4h o que era melhor do que o previsto e planeado, a segunda fase começou com subidas sucessivas que pareciam intermináveis e ai o esforço despendido teve um impacto devastador nos meus músculos lombares e quadríceps, começei também a ter fortes indícios de cãibras que me fez sentir que a qualquer momento podia ser o fim, mas continuei a insistir km a km com paciência e determinação para poder superar esta fase menos boa e de facto é extraordinário como o nosso organismo é capaz se adaptar às circunstâncias. Há certas metas que nos parecem impossíveis de atingir, mas que na realidade não o são, chegando á terceira fase após o km 73 tudo se tornou mais fácil, comecei a sentir-me bem fisicamente, com energia como se estivesse a iniciar o que me surpreendeu, fui aumentando o ritmo gradualmente e nos últimos 10 km ultrapassei inúmeros atletas, até avistar Ponferrada no horizonte, agora sim senti uma alegria inexplicavel, sabendo que nesta fase nada me poderia impedir de cortar

a meta e concretizar mais este desafio difícil mas superado dos 101 Km Pergrinos 2012.

 

DIPLOMA

 

 

  

publicado por Zé às 20:09

27.03.12

 

A Maratona de Barcelona este ano com quase 20.000 Maratonistas consolidou-se como uma das maiores e mais prestigiadas da Europa. Superou o ano passado com 16.216 corredores chegados á meta. A prova tem a partida às 8h30m e chegada na Avenida Maria Cristina, na Praça de Espanha. Começa na parte inferior do Olímpico Hill – Montjuïc Parque e percorre os locais mais famosos. Milhares de corredores de todo o mundo percorrem as ruas de Barcelona, num percurso que passa por muitos dos principais marcos históricos da capital catalã, como a Praça de Espanha, o Estádio Camp Nou, o edifício La Pedrera, de Gaudí, a Basílica da Sagrada Família, a Torre Agbar, a Vila Olímpica, a Praça da Catalunha e as Ramblas. Certamente um percurso inesquecível para uma cidade fantástica!. Um percurso, sem grandes dificuldades, com alguns quilômetros percorridos ao longo da praia, proporcionando uma brisa fresca e também com muita animação e apoio dos espectadores ao longo de toda a corrida. Um percurso predominantemente plano, contém alguns aclives não muito acentuados. Normalmente, cerca de metade dos Maratonistas são visitantes. Magnífica com sua costa mediterrânica, Barcelona tem uma história que remonta ao Império Romano e foi casa do mundialmente famoso arquiteto Antoni Gaudi. Ele é o autor de inúmeros edifícios espetaculares da sua cidade natal, muitos dos quais podem ser vistos ao longo do trajeto. No que a mim me diz respeito, nesta Maratona tive inúmeras dificuldades desde a mudança do fuso horário que me afetou bastante a uma má disposição súbita desde o km 15 aproximadamente que me não permitiu hidratar convenientemente, pois uma boa hidratação é fundamental neste tipo de prova etc. etc. etc. Não era de facto o meu dia sim. Mas com determinação e sofrimento lá consegui uma vez mais vencer os míticos 42195m e cruzar a meta, que é, e será este sempre o meu principal objetivo. É esta imprevisibilidade na Maratona que a torna tão aliciante e enigmática, pois podemos fazer inúmeros planos e delinear várias estratégias mas o facto é que cada atleta tem o seu dia e cada Maratona a sua história.
Tempo:3:31:14

 

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publicado por Zé às 21:43

29.11.11

 

A Maratona de Florença é o evento desportivo mais importante da Toscana, juntamente com as Maratonas de Veneza, Roma e Milão, e a segunda Maratona mais importante da Itália. Este ano com mais de 9.000 participantes de todo o mundo (provenientes de mais de 75 nações diferentes) é tambem a Maratona Italiana com o maior número de participantes estrangeiros (mais de 2.500 na edição do ano passado) ele é colocado na lista top 20 das Maratonas internacionais. A Maratona de Florença tem lugar em uma das cidades mais fascinantes do mundo e sua rota leva os corredores através do coração dela, cheia de monumentos e atracções artísticas.   A corrida começa em Lungarno Pecori Giraldi, perto da  Ponte Vecchio. Metade do percurso é executado dentro do centro histórico da cidade e uma grande parte em frente ao Monumento Cascine, Parque Nacional e distritos do florentino e acaba na majestosa Piazza Santa Croce. Além dos primeiros 5 km e dos últimos 5 km  que são em  piso de pedra bastante irregular, o percurso é praticamente plano, características que os maratonistas apreciam e que contribuem para alcançar o melhor desempenho possível, o único contra é as infindáveis curvas e contra curvas ao longo do percurso.

 

 

 

A partida ocorreu às 09h15, os atletas estavam animados, apesar do frio que se sentia. Eu estava apreensivo, pois seria posto á prova a lesão que me atormentou durante  2 meses, com 30 sessões de fisioterapia e um aumento de peso corporal de 10%, o que me deixou apenas 8 semanas de treino para diminuir o peso e simultaneamente preparar a prova o que não é tarefa fácil em tão curto período de tempo, mas a paixão que tenho por este desporto foi mais forte, por isso tentei descontrair e fazer o meu melhor, tinha em mente fazer uma prova tranquila, sem pressa, com a preocupação de não forçar para não sentir dores. Os primeiros cinco quilómetros foram tranquilos, concluindo em 0:23:02. Os postos de hidratação eram a cada cinco quilómetros, neles havia água, isotónico, chá (isso mesmo chá bem quente) e frutas. A partir do primeiro posto de hidratação, entrei num parque extenso, onde percorri uns bons  quilómetros. Quando atingi o Km15, 01:08:24, o que era excelente, por todas as razões que já citei. Quando completei a meia maratona, estava por demais contente, as pernas respondiam bem, apesar dos primeiros sinais de fadiga, mas nem sombra das dores nem da lesão que tanto me preocupava. O percurso era único: passei por parques, praças, ruas famosas, enfim, estava percorrendo os principais pontos de Florença naquele momento. Apesar do frio no qual me adapto muitíssimo bem, havia o incentivo do público, de todas as partes do mundo, que estavam ali para apoiar seus amigos, parentes e conhecidos.   Havia bandas pelo caminho, tentando animar os atletas. A sinalização era feita por quilómetros e por milhas. Quando atingi o km 35, com o tempo de 02:40:35 o ritmo era excelente e melhor que o previsto, pois os pacemakers das 03:15:00, vinham bastante atŕas o que me deu bastante ânimo, pois senti que tinha boas probabilidades de concluir abaixo desse tempo, sentia-me bem e nem sinal das dores. O meu objectivo seguinte era vencer km a km, pois sabia que é partir desta distância  que a Maratona realmente começa  e com esse pensamento fui vençendo os km até ao final, cansado mas sastisfeito e emocionado como sempre, cruzei a meta com aquela alegria indescritível que só os maratonistas sentem e sabem interpretar, a minha 14ª Maratona com o tempo de 03:14:56 a um ritmo de 4:37km.

 

Tempo real: 03:14:56

Classificação por escalão 50-55: 55º entre 785º atletas finalistas

Classificação geral: 815º entre 9000+

 

 

Viva a Maratona

 

 



13.06.11

                   Madrid 11 a 12 de Junho de 2011

 

                          

 


 

A corrida muda a vida de muita gente, muitos começam este desporto com o intuito de evoluir e melhorar a qualidade de vida, outras são atraídas pela ideia de superar os seus próprios limites, quanto a mim, acho que foi ambas as duas. Ultimamente tinha andado a cismar em correr uma Ultra Maratona e então optei pelos 100km em 24h de Madrid. A não classificação, foi um dos factores que me fez optar por este tipo de prova, pois os que chegam ao fim, ficam ordenados por ordem alfabética, entregam um diploma em que se certifica que "o atleta Snr. tal completou os 100km faltando x horas e minutos para as 24h". Esse é o objectivo, vencer a distância. Achei que seria a prova ideal para testar as minhas capacidades. E foi. Esta foi a prova mais difícil que realizei até hoje. Tem inicio ás 12:00 de sábado e termina ás 12 horas de Domingo. Foi uma prova extremamente dura para mim, não só pela distância, mas pelas horas em competição, 18 horas, em trilhos de serra, acrescidas de um calor sufocante rondando os 30º centígrados e da baixíssima humidade relativa do ar, que tornam os 100km em 24h, numa tarefa muito difícil, mas também pelos imprevistos de vária ordem, desde os musculares, lesões nos pés etc.etc. E até a nível psicológico, em que questionamos a nossa sanidade mental e o que estamos ali a fazer?, neste campo tive o privilégio de ter em prova o meu habitual colega de Maratonas, Adão Marcos, pois apoiamo-nos  e incentivamo-nos mutuamente, nos momentos menos bons, alem das mensagens continuas de incentivo da familía e dos amigos, que foram determinantes para o nosso êxito. A falta de experiência também teve o seu peso, pois há certos erros que cometemos, que atletas mais experientes conseguem evitar. O mais positivo e encorajador desta prova é ter um número elevado de atletas, pois em pouquíssimos momentos se corre só, muito embora cada atleta o faça no seu mundo, na sua concentração, no seu íntimo... E neste aspecto as energias fundem-se e faz com que elas de uma forma única impulsionem todos para o mesmo objectivo que os trouxeram ate aqui, vencer a prova (desafio pessoal) e mostrar para si mesmo que tudo é possível, quando a encaramos com seriedade, motivação e determinação. Pois bem, após uma incansável quantidade de subidas, descidas, de atravessar montanhas, inúmeros rios (ribeiros)?, de tanto sofrimento, ansiedade, de Km sem fim,  lá estava finalmente no horizonte, Colmenar Viejo o tão esperado estádio a cintilar na noite como uma estrela, agora sabia que com um pouco mais de sacrifício, conseguiria vencer esta distância que parecia infinita, estava quase a concretizar um dos meus sonhos e passada após passada, finalmente os 400m de pista, já dentro do estádio, corri, corri, esqueci todo o cansaço que sentia, para cortar a fita da meta, completar o sonho e poder murmurar emocionado, EU CONSEGUI.

 

 

Foto Meta 100 KM 24H

 

Finalistas 100 KM 2011

 

Video de chegada


10.05.11

 

Mais uma Maratona no currículo (13), mais um desafio vencido e  melhor ainda,   conhecer uma nova cidade e cultura, feitas nas corridas pelo Mundo.  A corrida traz-nos emoções indescritíveis. A superação é algo totalmente real. Alguns anos atrás, nunca imaginaria que algum dia seria capaz de completar uma Maratona, pois o objectivo era simplesmente sair do sedentarismo que me acompanhou durante anos. Como não gosto de depender de ninguém e confiando na minha perseverança, escolhi a corrida, pois por mais que ande muita gente a correr, acabamos sempre por correr sozinhos e contra nós próprios, só dependemos de nós e vencer a Maratona significa aprender a enfrentar e superar os nossos desafios. Desta vez escolhi a República Checa, a  capital Praga, que é hoje uma das cidades mais visitadas do mundo, e ter a possibilidade de correr pelos locais históricos desta maravilhosa cidade é um atractivo extra para os desportistas, uma vez que esta Maratona foi eleita uma das mais belas do mundo. O percurso passa pela preservada parte medieval da cidade, com saída e chegada na famosa praça central, “Old Time Square”.

 


 

Se procura uma Maratona turística, esta poderá ser uma excelente opção, associando um fim de semana turístico a uma Maratona, aproveitando ainda para visitar parte da cidade correndo. Praga dispõe de um dos centros históricos mais bonitos da Europa, com a grande vantagem da maioria dos seus grandes monumentos estarem concentrados numa zona específica da cidade, o que a torna muito agradável. Partindo do centro da cidade dirige-se para norte para depois rumar a sul para as margens do rio Moldava, seguindo o seu curso e abandonando a cidade entre os 19 e 29km, para regressar novamente pelo norte da cidade, terminando no centro antigo, num final majestoso. É um percurso acessível, mas difícil devido ao piso, com bastantes troços em granito e ao facto de passar no mesmo trajecto várias vezes e também pelos atletas que participam na Maratona em estafeta, cada um realizando á volta de 10,5km, facto que desmotiva bastantes os maratonistas, mas que agrada ás organizações, pois aumenta significativamente o numero de participantes . Completar a mítica distância dos 42.195 metros da prova é um sonho que faz parte do imaginário de muitos corredores, e por isso mesmo não deveria ser permitido realizá-la em estafeta. Provas de 10km, 15km ou 21km  não deveriam fazer parte deste evento a exemplo  das grandes Maratonas mundiais como Londres, Boston, Berlin, Nova York, etc., etc., Tão simples como isso. No que me diz respeito a esta Maratona, não era definitivamente o meu dia, dado que o combustível começou a escassear aos 28km e para gerir o que me restava, passei um mau bocado, dificil  de superar, mas felizmente km após km com determinação e  sofrimento lá fui levando a agua ao meu moinho até concluir, o que no fundo é sempre o meu objectivo final.

 


 

O que vale é que não sou supersticioso, “Maratona nº13, terminação de dorsal nº13”, é caso para dizer,”no creo en las brujas, pero que las hay, las hay”

 

 

 

 

Tempo real: 03:23:22

Classificação por escalão 50-55: 55º entre 663º atletas

Classificação geral: 663º entre  5278 atletas                     

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publicado por Zé às 22:07

09.11.10

 

Quem olha a dimensão de hoje, não pode imaginar que a primeira edição promovida pelo New York Road Runners, em 1970, (ano em que eu cheguei a Nova York) contou com a participação de apenas 127 corredores, e destes, somente 55 cruzaram a linha de chegada. Nos primeiros cinco anos da prova, o trajecto era ao redor do Central Park, com os atletas dando várias voltas. Seis anos depois, Fred Lebow, co-fundador da Maratona, ampliou o percurso incluindo os cinco distritos de Nova York. Cerca de 2.090 atletas partiram de Staten Island passando por Brooklyn, Queens, Bronx e finalmente Manhattan. Desde que comecei a correr, alguns anos atrás e depois de ter realizado já 11 Maratonas pela Europa, acalentava o desejo íntimo de participar na Maratona de Nova York, regressar á cidade onde vivi a minha juventude e passei alguns dos momentos mais felizes da minha vida. É um percurso muito técnico, com ondulações constantes, especialmente nas pontes, mas a dificuldade do percurso é compensada pelo maravilhoso público, pois nunca vi tanta gente estimulando os corredores durante todo o trajecto e especialmente á chegada a Manhattan, logo após a Queensboro Bridge, é sensacional e emocionante, depois do silêncio na ponte ouvir o barulho ensurdecedor das pessoas gritando e também na parte final do central park  perto da chegada á meta, (onde eu também tinha a minha claque) realmente não dá para explicar a sensação e desde já recomendo a prova a todos, é uma experiência inesquecível. Após a prova e também nos dias precedentes, andar pelas ruas de Nova York, foi um prazer indescritível, pois Nova York a cidade que nunca dorme é sem dúvida a mais cosmopolita do mundo. Desde já quero agradecer á minha família, especialmente aos meus cunhados pelo apoio, paciência e hospitalidade impar que me proporcionaram. Foi mais um momento mágico, um objectivo alcançado, carregado de simbolismo, onde todas as incertezas, ansiedades e esperanças permanecerão comigo para sempre.

 

 

Viva a Maratona

 

Tempo real: 3:16:52

Classificação Geral: 2.481º entre 45.107º Atletas

Classificação Homens 50-54: 139º entre 3.434º Atletas

Claque



 
 

13.04.10

30ª Maratona de Roterdão!!!

 

A minha super Maratona

Super, por três razões muito especiais

Ter batido o meu recorde pessoal (personals’ best) 3:13:10

O recem nascimento do meu primeiro netinho Luís Diogo

O aniversário da minha esposa no dia da Maratona

 

 

A chegada a Roterdão é fantástica, a beleza da cidade, a organização e o transporte público são espectaculares, especialmente as bicicletas que são aos milhares, bicicletas por todo lado e, sem contar na simpatia dos holandeses, sempre muito gentis. A arquitectura é contemporânea e a cidade é toda rodeada por parques. “O EVENTO é muito prático para os corredores, a começar pela feira (retirada do chip) pois é feita em frente da câmara municipal na avenida principal de Roterdão (a mesma da partida, ás 10h50 a orquestra sinfónica de Roterdão começa a tocar o hino da Holanda e todos os holandeses cantam a uma só voz, essa hora é MUITO EMOCIONATE. Às 11 horas em ponto, o presidente da câmara acciona o canhão e soa o tiro da partida muito alto e daí para frente é só alegria", Não tive muita sorte com o clima, pois o tempo estava muito frio e com um vento quase insuportável. No inicio da prova, corri encaixotado e sem nada poder fazer se não ter paciência até poder engatar no meu ritmo passando no km5 em 24m e 36s. “O meu tempo previsto era 23m e 05s, ou seja, estava 1min e 31seg atrasado em relação ao planeado. Daí para frente consegui estabilizar melhor o meu ritmo que o estipulado com a ajuda do (pacemaker)marcador de ritmo, o chamado (homem do balão) e com isso, cheguei ao quilómetro 30 em 2h 17m 59s, melhor que o tempo planeado apesar da confusão do inicio . Passei a 1ª meia em 1h 37min 58seg e a segunda metade em menos 3m aproximadamente. Se tivesse conseguido entrar no ritmo desde o começo talvez até tivesse baixado um pouco das 3h 13m10seg. A chegada foi perfeita, estava bem e sem dores. Cheguei com os braços erguidos e aquele sorriso interior que só nós corredores sabemos e podemos dar. O sorriso da vitória de meses de treino coroado com a chegada, o sorriso por ter abdicado de muitas coisas nesse período, enfim, um sorriso que não tem preço. Voltando á terra de Vincendo Vaz Gogh, no lado cultural, os Países Baixos, no século XVII ficaram conhecidos como a Era dos Mestres neerlandeses, entre eles, Rembrandt Van Rijn , Johannes Vermeer, Jan Steen e Jacob Van Ruysdael. Além dos grandes pintores do século XIX e XX como Vincent Van Gogh e Piet Mondriaan O país das tulipas, produziu figuras históricas como o filósofo Erasmo de Roterdão (nome da famosa e moderna ponte Erasmus). Neederlands têm uma arquitectura arrojada e sem contar o porto que é um capítulo à parte. O Porto de Roterdão é o mais moderno e importante da Europa e o terceiro principal porto do mundo. Existe desde o século XIV (mais especificamente desde 1328), quando ainda era um pequeno porto para pesca situado no rio Rotter. O seu desenvolvimento foi à partir do século XIX, quando foi aberta uma conexão com o Mar do Norte, chamada de Nieuwe Waterweg, estabelecendo um importante canal de comunicação com a pujante e potente indústria alemã. Um pais que gostei imenso de visitar e acima de tudo uma Maratona que para mim foi e será inesquecível, pois dificilmente conseguirei superar estes tempos, pois a idade também deixa a sua marca, especialmente a nós avôzinhos, (Grandpa Joe) como diz o meu amigo Mito. De qualquer forma acho que consegui um resultado  bastante positivo.

Tempo 3:13:10.

Escalão na categoria (Maiores de 50 * 77 /914 atletas)

Geral ( 893 /7856). Agora o próximo objectivo é a Maratona de Nova York em Novembro. Qual o desporto que permite, que na mesma competição, atletas amadores populares de todas as idades possam participar juntamente com os melhores atletas olímpicos e recordistas mundiais? Só no atletismo. Aberto a todos mas só ao alcance de alguns. Viva o desporto mais democrático e popular do mundo. Viva a Maratona!!!

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publicado por Zé às 22:48

27.02.10

14 semanas para Maratona de Roterdão!!!

Não bastam os meus problemas, os compromissos, o trabalho etc, etc, etc, e ainda correr Maratonas! E já lá vão 10!, nunca pensei!!!. Treinar durante meses, aguentar sol, chuva, (hoje por ex. 2h 25m e 26 km debaixo de chuva intensa) vento, frio, calor, dor aqui, dor ali, nenhum parente ou amigo nos leva a sério, e alguns até ficam ofendidos quando recusamos um convite porque temos de treinar. Quem tiver o hábito de correr, deve saber que não estou exagerando, correr é uma mistura de sensações boas e ruins, mais boas, é verdade. Acordar cedo para correr, sair às 7h da manhã noite cerrada, -5 ºC a +10 ºC de temperatura e especialmente nestes últimos meses em que a chuva não nos tem dado tréguas e fazer o treino do dia, ouvir desabafos de idiotas que passam de automóvel ou pior ainda, isso é apenas uma amostra do lado ruim, experimentado por todos os corredores e não apenas por candidatos a maratonistas. Não é nada que não possa ser superado, se tiver disposição e saúde para tanto, são exactamente essas dificuldades que fazem o desafio, pensar que o desafio é correr os 42,2 km, está enganado. Chegar ao fim de uma Maratona não é uma tarefa fácil, assim como não é escalar o Evereste, mas o seu sucesso depende quase e exclusivamente da preparação, que é muito mais difícil, porque leva meses ou até anos. Então, o desafio maior é concluir satisfatoriamente a preparação, e não apenas terminar a Maratona. Ter uma clara consciência desse facto é o que pode levá-lo em boas condições à linha de chegada, saber que o verdadeiro desafio é realizar cada um dos treinos programados e lhes atribuir um significado muito maior, do que o de uma corridinha ocasional de fim-de-semana. Ao compreender isso, dar se há aos treinos uma importância semelhante à que se dá ao trabalho, mas afinal o que é que há tão divertido em tudo isto? É verdade, até agora, eu só falei de problemas, dificuldades e desafios, agora, vamos ao lado positivo. Alguns corredores afirmam que correr os faz conhecer melhor a si mesmo, lhes dá segurança e auto-estima, os ajuda a enfrentar melhor a vida e suas dificuldades e os torna pessoas mais completas. Eu não iria tão longe, no meu modesto ponto de vista, há motivos muito mais palpáveis (e reais) para se praticar este desporto. Primeiro, correr é uma actividade natural, as regras são as mais simples possíveis, não se precisa de um treinador, nem de um árbitro, é verdade que um treinador pode contribuir bastante para atingir-se objectivos complexos, como correr a Maratona, mas ele não é imprescindível. Segundo, para correr não se depende de ninguém, não é preciso ser sócio de nenhum clube, não é preciso formar uma equipa, não é preciso sequer conhecer outros corredores,  tudo isto pode tornar o acto de correr mais agradável, mas nada é imprescindível. A corrida é um desporto onde é possível avaliar-se com precisão o progresso obtido e acompanhar esse progresso o que é sempre extremamente motivador. Com a ajuda de um diário, que pode ser um simples caderno ou um programa de computador, pode-se registar tempos, distâncias, batimentos cardíacos, além de inúmeras outras variáveis. Com esses dados, pode-se construir estatísticas muito interessantes, por exemplo, eu uso o Garmin Forerunner 305 para registar as minhas corridas desde 2006, com ele, posso verificar a minha velocidade os meus batimentos cardíacos, altitude, tempos etc, etc. O próprio acto de correr pode ser prazeroso, pode-se ouvir música e pensar no que se quiser sem ser interrompido por ninguém, dependendo do ritmo adoptado, pode-se fazer um esforço físico forte e a capacidade plena do organismo de sustentá-lo, e essa é uma sensação óptima. Mais raramente, pode-se sentir o que na literatura especializada é conhecido como *runner's high, uma sensação de euforia provavelmente relacionada à liberação no organismo de substâncias analgésicas e calmantes como a endorfina e a encefalina. Mesmo quando a corrida é difícil, e exige um esforço físico muito grande, os momentos seguintes são extremamente agradáveis. Pelo simples facto de ser um corredor, podemos participar em qualquer competição de rua, inclusive provas oficiais, mesmo que não tenhamos a menor chance de vitória.  Para facilitar as coisas, ninguém espera mesmo muito de nós os populares , o que nos tira alguma responsabilidade dos ombros e nos obriga a concentrar melhor na corrida e até corrê-la com descontração apenas para aproveitar o evento. O inglês George Mallory ao ser indagado porque queria tanto subir ao cume do monte Everest,  deu a resposta mais famosa da sua vida: -  Porque ele está lá!  Mallory talvez não seja uma boa fonte de inspiração para os candidatos a maratonistas, porque ele não teve sucesso, embora tenha deixado o seu nome gravado na história do alpinismo, uma coisa que nem eu nem a maioria faremos pela corrida, mas a sua frase resume bem o sentimento em questão. Como evitar sentir-nos desafiados pelas dificuldades? Como não sentir um calafrio ao imaginar-nos a cruzar a meta? A Maratona, alguém já disse, é um Everest ao alcance apenas daqueles que fizerem por merecê-lo. Eu insisto, não é fácil, mas seguindo um treino básico, e vencendo as dificuldades que surgem no dia a dia, está ao alcance de todos, quando os problemas começarem, lembre-se disto: ninguém, em nenhum momento, disse que ia ser fácil, mas talvez nada seja tão difícil quanto dar o primeiro passo, a  propósito, John Bingham, colunista da revista Runner’s World, tem um slogan muito simpático: “O milagre não é eu ter terminado, é ter tido a coragem de começar”. As dificuldades superam-se uma de cada vez e no final, deixamos  de ser corredores. Seremos maratonistas.

 

CURIOSIDADES DA PREPARAÇÃO

Duração: 14 semanas
Quilómetros a percorrer: 910
Nº. de treinos de corrida previstos: 70

Nº. de treinos de ginásio 28
Nº. de horas: 150
Locais: Chaves
Equipamento: Sapatilhas Asics gel kayano 14, Brooks GTS

Relógio Garmin Forerunner 205 e 305.

Foto dia 27/02/2010

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publicado por Zé às 11:00

07.12.09

 

 

Pela 2 ª vez consecutiva consegui concluir em boa companhia e com êxito a 24ª Maratona de Lisboa 2009, (a minha 10ª) com os meus estimados amigos e colegas Carlos Faustino e Adão Marcos, quarenta e dois quilómetros, cento e noventa e cinco metros, a medida exacta de uma Maratona. A medida é longa para escrever, para ler e sobretudo, para correr! Apesar de longa, a Maratona é hoje a prova desportiva mais popular e democrática do mundo. Não há dinheiro nem fama envolvidos nestas provas para nós veteranos, frequentemente nem mesmo há a aprovação dos familiares e púbico em geral. Mas como afirmam poetas, apóstolos e filósofos desde os mais remotos tempos, existe muito mais na vida que a simples lógica e o bom senso. A verdade é que em corridas longas é possível esquecermos a nossa vida e viver outras, como se trocássemos de corpo e alma. Podemos naqueles tão sofridos e ao mesmo tempo prazerosos 42km 195m sonhar com novas ideias e um novo mundo. Este ano a Maratona de Lisboa voltou a bater o recorde de participantes, colocando-o agora no total de 1152 atletas. Face às obras na Praça do Comércio, atendendo ainda ao desejo de muitos de ter uma Maratona que visite Lisboa, a organização da Maratona de Lisboa colocou um novo percurso com partida e chegada no Estádio 1º de Maio. Ciente de que assim a prova deixaria de ter um percurso claramente plano, a organização investiu numa mudança de cenário, quanto a mim muito melhor em termos paisagísticos mas com um grau de dificuldade muito superior á do ano passado, uma Maratona com inúmeras subidas e muito, muito difícil, especialmente para quem pretendesse bater o seu recorde pessoal, esta não era de maneira nenhuma a Maratona ideal. Acho até que a organização deveria pensar em alterar o nome, em vez de Maratona seaside passar a chamar-lhes Maratona das sete colinas, fazer lhes ia mais justiça. Alem da Maratona tivemos também a meia maratona, bem como a estafeta da maratona como já vem sendo habitual. Mais uma batalha mais uma vitória.

Agora vou desfrutar de umas merecidas semanas de descanso, desde já desejo a todos os atletas e amigos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

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publicado por Zé às 20:49

26.10.09

Maratona de Veneza, 25 de Outubro 2009

A Maratona de Veneza foi e é sem dúvida a Maratona com um dos percursos mais bonitos do mundo, O que não é fácil, é passar a palavras as sensações de quem participou neste momento mágico que é o correr no meio de mais de 6.000 atletas, percorrendo um pouco mais de 42 Kms pelas ruas desta encantadora cidade percurso este, bastante plano nos primeiros 25km. A partida é dada, numa pequena vila chamada Villa Pisani, onde os nobres de Veneza construíam suas casas de veraneio no século 18, o percurso segue uma estrada que liga a cidade de Stra a Veneza, atravessando várias vilas com paisagens deslumbrantes repletas de casas pitorescas e palácios. Toda a prova é muito animada, passa pelos bairros de Mestre e Marghera, entra no Parque San Giuliano, uma das zonas verdes maiores da europa, atravessando e percorrendo inúmeras pontes e canais, entre eles o Gran Canal sobre o qual a organização constrói uma ponte propositadamente para os maratonistas, chega-se a Veneza através da ponte Liberta e a partir dai está-se dentro da cidade. Pouco antes da chegada atravessa-se a praça de São Marcos  um dos lugares mais  deslumbrantes da Maratona, mas dos mais difíceis finais que se possa imaginar! (muitos dizem que é a melhor chegada de todas as maratonas do mundo) eu digo pela minha experiência, que deve ser um dos mais difíceis do mundo, pois ter que ultrapassar 14 pontes de escadas transformadas em rampas para facilitar a vida aos maratonistas após 40km percorridos, não é tarefa fácil e é psicológicamente desgastante, (pelo menos para mim foi o final mais difícil de todos os que corri até hoje). Muita animação ao longo dos primeiros 25 km e depois mais concentrada na parte final com muitos milhares de pessoas a aplaudir e a incentivar os atletas nos quilómetros finais. Foi uma Maratona que venci com muito sofrimento nos quilómetros finais, mas que valeu a pena e me deixou a alma uma vez mais, inebriada de orgulho e aquele singular sentimento de glória que só um Maratonista pode compreender.

Partilho aqui o meu Diploma

Viva a Maratona!


21.04.09

 

Após 14 semanas de treino e centenas de km percorridos, de tantos esforços, sonhos, esperanças e desilusões, eis que chega finalmente o dia tão desejado, o da Maratona. E logo a Maratona de Vienna, um sonho que alimentei durante vários anos estava prestes a concretizar-se, a Maratona de Vienna que é considerada o maior evento desportivo da Áustria, isso porque reúne mais de 28 mil corredores de mais de 106 países. O percurso da prova de 42km195mt é composto por duas voltas práticamente iguais, sendo que a primeira é o trajecto completo da meia maratona que faz também parte desta  prova e desenrola-se em direcção ao pulmão da cidade de Viena  e passa pelos pontos turísticos mais importantes, desde os históricos até aos mais modernos. A partida começa em frente ao edifício das Nações Unidas  e em seguida, cruza o Rio Danúbio onde se encontra a Torre de Danúbio, uma torre de metal de 287 metros com um restaurante rotatório com uma vista magnífica para a cidade de Vienna  e continua pelos locais mais interessantes da capital austríaca, passa por  monumentos fantásticos, como o Palácio de Schonbrunn, a Catedral de Saint Stephan, onde diz a lenda que repousam os três Reis Magos, a Ópera, a elegante boulevard Rindgstrasse, o Parlamento, etc. etc. Não é em vão que a organização se refere a esta maratona como se de uma visita a um museu se tratasse, mas em sapatilhas e calções de corrida. Num país com tanta tradição musical não podiam faltar as canções de Mozart e Johann Strauss tocadas ao longo do percurso para motivar os corredores, desfrutei  com todas as minhas faculdades mentais e físicas de tudo isto do km1 ao km37 nos restantes 5km começava realmente para mim a Maratona, ai comecei  a correr com o coração, tentei vencer a dor sabendo que podia durar 1 minuto, 1 hora, 1 dia, 1 semana, 1 ano, mas que passaria  e desistir nunca, pois seria mais difíçil conviver com o sentimento de ter abandonado uma batalha e a respectiva sensação de perca, mas ir em frente e conquistar mais esta vitória e poder usufruir do orgulho único e eterno que ela tem , com mais um pouco de esforço também sabia que estava prestes a bater o meu próprio recorde pessoal o que seria também  uma conquista, sabendo que tinha a melhor claque, a mais forte e incondicional á minha espera que é a minha mulher que me acompanha nestas aventuras, esperando-me em frente ao palácio do imperador na famosa  praça Heldenplatz..  

E assim cruzei a meta emocionado e orgulhoso por ter vencido mais uma vez, esta grande batalha,  que é a Maratona, com o tempo de 3h 18m e 34s.

Viva a maratona

 

 


03.04.09

 

No último domingo dia 29de Abril, participamos mais uma vez, na meia maratona Vig Bay em Vigo,  uma prova em que já participamos várias vezes eu e o meu amigo Adão Marcos, mas desta vez como treino para a próxima maratona. É um percurso bastante difícil na medida que os primeiros 10km aproximadamente são sempre a subir e normalmente conta com fortes ventos que impede que se consiga um tempo significativo. A prova foi muito bem organizada e pela primeira vez, depois de algum tempo, corri com satisfação e alegria a meia maratona . Mas isso só foi possível porque corri para eu mesmo, sem compromissos de marca e tempos. Alias, fiquei bastante surpreso com o meu tempo, pois é um tempo bastante semelhante ao que eu alcançava quando estava a treinar exclusivamente para a meia maratona e isso já lá vão alguns anos. A minha expectativa era completar a prova na casa de 1h33,00-1h35m, e 1h 28m, 33s, foi realmente uma grata surpresa. Agora o meu próximo desafio é já dia 19 de Abril em Vienna de Austria que aguardo com bastante expectativa. Até!!!!

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publicado por Zé às 15:52

08.12.08

Há muitas coisas na vida que o dinheiro não compra. Uma delas é o prazer de completar uma maratona. Mais do que um acontecimento físico a maratona é um duelo espiritual, a mais sedutora luta entre o homem e os deuses... Costumo dizer que o dia da maratona é na verdade o dia mais fácil, o duro não é correr os 42 km da maratona, o duro é aqueles intermináveis treinos longos de 20 a 30 km aos sábados bem cedo, enquanto os nossos familiares e amigos ainda desfrutam duma cama aconchegante, é justamente nesse árduo caminho feito de muitas corridas, suor, treinos de series, ritmos, ladeiras, dores musculares e centenas de quilómetros rodados, com sol ou com chuva e muitas vezes realizados antes e depois de desgastantes dias de trabalho, que algumas pessoas desistem da ideia de participar de uma maratona. Cruzar a linha de chegada, mesmo que às vezes em condições muito debilitadas, é o resultado de alguns meses de trabalho árduo e planeado com alguma estratégia. Mas tudo se esquece no dia da prova, pois é o culminar dum objectivo, é a glória indescritível que se sente na linha de chegada ao ser premiado com uma simples medalha que simboliza o nosso esforço e sempre que olharmos para ela, nos fará lembrar com orgulho e satisfação de tudo o que fizemos e sofremos para merecê-la. Mais uma vez este desejo foi concretizado e agora vou desfrutar de umas merecidas semanas de descanso, desde já desejo a todos os atletas e amigos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

 

Viva a Maratona.

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publicado por Zé às 09:29

28.09.08

 

II MARATÓN DO MIÑO

Setembro 28 2008

Muitos podem perguntar o que leva alguém a massacrar o seu corpo e mente ao longo de 42,195 quilómetros a correr, sem tirar daí qualquer benefício económico, penso que cada um dos corredores populares que completaram a 2ª maratona do Minho, tinham os seus próprios motivos. Para mim é como viver toda uma vida ao longo de 42 quilómetros. Eu pessoalmente quando acabo juro que nunca mais faço outra, mas até á data ainda não consegui cumprir o juramento. Mas que é extraordinário conseguir superar um desafio destes, lá isso é, pois cada maratona é uma experiencia única e esta em particular, foi uma surpresa para mim, pois é mais uma prova off-road , que uma maratona de estrada, alcatrão tem como 2/3 km no máximo, com inúmeras subidas e descidas, bastante íngremes e em péssimo estado, mas a barreira mais difícil, foi sem dúvida a  psicológica, ter que dar 3 voltas ao circuito, talvez seja este o motivo que leva os organizadores desta prova a permitir corre-la  por 3 atletas em estafeta, mas enfim  a maratona ensina-nos como vencer os mais difíceis desafios, todos encarados mediante um criterioso planeamento e mesmo assim temos que superar obstáculos desconhecidos, é este o desafio da maratona, mas acho que valeu a pena só por este percurso lindíssimo ao longo do rio Minho com lindas paisagens que é com certeza o ponto forte desta maratona.

Mais um desafio vencido, mais um sonho realizado e espero correr muitas mais maratonas e mesmo desafios maiores ao longo da minha vida.

Viva a Maratona!!!.

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publicado por Zé às 21:58

17.03.08

Maratona de Roma

Hospede inúmeras fotos no slide.com GRÁTIS!

Correndo a Maratona de Roma

Percorrer as históricas ruas de Roma é, sem dúvida, uma experiência única, ainda mais se for a correr 42.195 metros. Entretanto, quando surgem imprevistos que nos obrigam a reformular estratégias, abandonar metas e, mais do que nunca, ter muita garra para superar situações tragicómicas, o significado de concluir uma maratona ganha um sabor ainda mais especial.

No dia 16 de Março, eu e meu colega de corrida, Adão Marcos, acordamos bem cedo em uma fria manhã italiana para nos dirigirmos ao Coliseu, local de partida e chegada da 14ª edição da Maratona della città di Roma, este ano contando com 14.500 atletas de mais de 76 países. Como a partida estava marcada para as 9 horas e nós estávamos hospedados em um hotel não muito distante do centro romano, programamos para sair com 1 hora e 15 minutos de antecedência a caminhar.  Já havíamos  testado no dia anterior e, se não houvesse qualquer contratempo, estaríamos na histórica arena romana em 20 minutos.

Inúmeros atletas e famílias também se dirigiam ao Coliseu, para participar da Stracittadina Fun Run, uma caminhada de 4 km, com largada programada para as 9h15 em que participaram à volta de 50.000. Crianças, mães, idosos, todos muito animados para tomar as ruas de Roma. Saímos da Via Del Fori Imperiali, em direcção à Piazza Venezia. Após o primeiro quilómetro, surgiu a primeira subida,  pensei que a Maratona de Roma  só subia após o km 34 e que só havia paralelos nos primeiros e últimos km, puro engano, havia muitas mais subidas e ruas com paralelos para percorrer, passados alguns km , alguns já caminhavam, com destaque para um grande atleta deficiente que com duas próteses substituindo as pernas, ia travando a sua luta, muito aplaudido pelos colegas e público, um verdadeiro herói dos nossos tempos. Eu continuei mantendo o meu ritmo por km, enquanto o Adão, que possui um ritmo mais forte lá ia seguindo o seu caminho. Nós lá nos encontraríamos ao final. O clima estava muito agradável (em torno de 15°C) quando o percurso passou a acompanhar as margens do rio Tibre, Avenidas largas, sempre planas, mais afastadas do centro da cidade. Na entrada do Vaticano, em frente à majestosa Basílica de São Pedro, as ruas que dão acesso ao Museu do Vaticano estavam muito movimentadas de turistas que iam aplaudindo a passagem dos atletas. Na passagem dos 25 km, o percurso aproximou-se do parque da Villa Ada e atravessou o rio Tibre, para fazer o retorno rumo ao centro histórico. O percurso continuou acompanhando o rio Tibre até o 33° km. Após superar a barreira dos 30 km, ouvia cada vez mais espectadores gritando, incentivando: "Bravo! Forza!" Após a passagem de um viaduto depois de uma longa recta, entrei no centro histórico de Roma. A partir dai, corri bastante emocionado por passar nas principais fontes e praças da capital italiana mas também com bastante sofrimento para os pés e coluna devido ás muitas ruas estreitas de paralelos. Antes do quilómetro 35º, fui apresentado à Piazza Navona e  Piazza del Spagna, um dos principais cartões de visita de Roma, com as suas escadarias, fontes e restaurantes lotados. Logo depois, vieram a Via Del Corso uma das  ruas mais comerciais de Roma, infestada de turistas, que aproveitaram para ver e aplaudir a maratona, um contorno pela Piazza del Popolo (outro famoso ponto de referência da cidade) e a badalada Fontana di Trevi.
Ultrapassada a barreira dos 40º quilómetros, tive que buscar folgo extra para enfrentar a pequena e inoportuna subida da Via de San Gregório, quase no km 41. Vencido o último obstáculo, avistei novamente o Coliseu: faltava apenas contornar a arena dos gladiadores da antiguidade para completar minha quinta "maratona de 42,195 km". Após 3:23:52, tempo real tinha a espera a minha esposa que mais uma vez me acompanhou me apoiou e incentivou e que sem ela tudo isto não me seria possível ter alcançado e finalmente tinha no  meu peito a medalha da Maratona de Roma, que tradicionalmente é gravada com as palavras "Pace", "Libertá" e "Amore" junto ao desenho da loba que amamenta os irmãos Rómulo e Remo, os fundadores de Roma, mas que este ano para não se tornar repetitivo o escultor Alfiero Nena inspirou-se na pomba no coliseu e no atleta.
"As the champion is not a champion for ever but he has to race again and again, so it is the idea of peace. Peace is  weak and it has to be built day by day, step by step. Just like the athlete who works for  his own victory. That is the message every athlete is proud of representing and giving to everybody with the sacrifice of his sportive performance".

Na zona de dispersão, o clima já era de fim de festa, havia cobertores de alumínio por todos os cantos, e maratonistas deitados gemendo como se fossem feridos de guerra. E foi assim que terminei, com a sensação de missão (quase impossível) cumprida esta 14ª Maratona della città di Roma!  Viva a Maratona.

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publicado por Zé às 23:49

22.02.08

Não é preciso conferir no calendário para saber que falta pouco para chegar o dia da 'mítica corrida', pois o nervoso miudinho começa a fazer-se sentir, o que não me parece grave, pois mesmos os mais experimentados e já habituados à distância, também o sentem. Aliás, acho que esta pequena ansiedade é sinal que houve uma preparação prévia para a prova e sei bem que assim que for dado o tiro da partida desaparece num ápice!

Nestes dias que antecedem a prova analiso as minhas anteriores participações em maratonas, tentando fazer algumas comparações entre os estados de forma do passado e do presente, segundo as metodologias de treino aplicadas em cada uma . Acredito no trabalho realizado ao longo destas semanas, por isso vou partir para a corrida adoptando o ritmo para o qual treinei, procurando ser o mais regular possível ao longo dos 42.195 metros.

Numa maratona, diz-me a minha curta experiência que não são apenas as pernas que correm, a cabeça também desempenha um papel fundamental, é preciso estar preparado para não quebrar o ânimo, caso possam surgir eventuais contrariedades. Sem nunca esquecer o lema que me move - "Pior que não cumprir os objectivos, é não ter objectivos!".
A maratona tem uma enorme carga simbólica, provoca fascínio entre os atletas do pelotão, transportando-os muitas vezes para momentos verdadeiramente épicos. Eu já senti quer a glória, quer a desilusão, sendo a distância que separa uma e outra, apenas de uns escassos minutos.

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publicado por Zé às 21:48

13.01.08

      AQUI ESTÁ UMA GRANDE VERDADE!!!

      Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo. Ele fugia
      com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia. Um dia, já

      sem  forças, o pirilampo parou e disse à cobra:

   - Posso fazer três perguntas?
   - Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou
      comer, podes perguntar.
   - Pertenço à tua cadeia alimentar?
   - Não.
   - Fiz-te alguma coisa?
   - Não.
   - Então porque é que me queres comer?

   - PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!
    

      E é assim infelizmente... Diariamente, tropeçamos em cobras!

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publicado por Zé às 08:33

04.10.07

Zé video de chegada Maratona de Berlin!

Uma vez mais sinto-me orgulhoso por  por ter participado e superado um dos meus objectivos que era concluir com êxito esta Maratona, especialmente este ano onde o etíope Haile Gebrselassie  conseguiu bater o recorde mundial com o tempo de 2:04:26. Criada em 1974 quando a cidade de Berlim era a capital da Alemanha Oriental comunista, sob influência da União Soviética desde o fim da Segunda Guerra Mundial, é uma maratona muito rápida de alto nível atlético que exige extrema resistência física, é uma das mais importantes do mundo principalmente após a queda do Muro de Berlim. Juntamente com as de Nova York, Boston, Chicago e Londres. Este ano participaram 42.215 atletas de mais de 100 países. É um percurso muito bonito, sem grandes elevações e este ano teve óptimas condições climáticas, um dos atractivos da prova que mais me impressionou foi poder correr nas belas ruas desta capital alemã que praticamente foi destruída na 2ª guerra mundial e também o muito muito publico a aplaudir incansavelmente ao longo de quase todo o percurso, passar por muitos monumentos marcantes como o parlamento a potsdamer platz,
reichstag, a catedral kaiser-wilhelm-gedachtnis-kirche semidestruida durante a guerra etc., etc., e depois terminar no Portão de Brandemburgo a versão germânica do Arco do Triunfo.. Depois de correr 42195 metros, a maratona foi mais uma vez vencida, valeu a pena o sofrimento destes últimos meses de treino, para poder realizar mais um sonho.
Agora o guerreiro descansa as sapatilhas.

 

Viva a maratona. Photobucket

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publicado por Zé às 22:34

20.09.07

 

Última semana antes da Maratona: É tempo de agradecer

 

Agradecer nunca é perda de tempo. Agora que estou chegando ao final da minha preparação para a 34ª maratona de Berlin, é sempre bom fazer os agradecimentos a quem de direito. (a ordem abaixo não tem, de maneira alguma, relação com o merecimento de cada agradecimento). Obrigado aos automobilistas que me deram preferência, mesmo quando o sinal estava verde, obrigado à Garmin, fabricante do GPS que uso para me orientar durante os treinos, obrigado a Deus por não me  ter  lesionado seriamente em nenhum momento do treino, nem ter sido atropelado por nenhum bêbado voltando para casa ás 7H da manhã, obrigado aos cães, por não me terem mordido em nenhum treino, obrigado principalmente á minha esposa que me apoiou e incentivou, obrigado aos meus filhos Zé Carlos,Tiago e Sofia  pelo incentivo e paz de espìrito que me proporcionam e de que tanto preciso, obrigado aos meus cunhados António e Lena  em Clark New Jersey USA pela sua solidariedade e excelente companhia durante as férias, obrigado ao meus amigos e companheiros maratonistas  Luís e Adão pela sua pontualidade e companheirismo nesta árdua e mútua luta dos últimos meses , obrigado ao meu amigo Mito pelo  constante interesse manifestado pelos meus objectivos desportivos, obrigado ao sol que nasce todos os dias, obrigado à ausência de chuva que não nos tem estragado os treinos e  nos permitiu correr, obrigado a Phiddipides  o primeiro grego que correu até Maratona e que desencadeou em 1896 essa maluquice da maratona, obrigado ao Aprigio, por me ter despertado o interesse de correr a 1ª maratona em Madrid, obrigado a todos vocês que estão lendo este blog, obrigado àqueles corredores que não correm correctamente, pois com os erros deles consegui corrigir os meus, obrigado também àqueles que não me ajudaram nem incentivaram, aos condutores que me apitaram apenas para me provocar ou por inveja de não poder fazer o mesmo e a todos os amigos e ex. amigos de agora e de sempre. Muito Obrigado...

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publicado por Zé às 11:55

24.04.07

Domingo, 7:45 horas da manhã, Arco do Triunfo. Eu e o meu colega Adão Marcos saiamos do metro nos Champs Élysées. Estava uma manhã magnifica a temperatura estava acima dos 15 graus. O sol começava a mostrar-se e prometia um dia quente neste domingo tão ansiosamente esperado. Ali, próximo ao Arco do Triunfo, eu olhava aquela multidão colorida e agitada que brotava dos subterrâneos do metro e pensava: que estranho fascínio a maratona exerce sobre as pessoas que dela participam! Como podem enfrentar o calor, o cansaço, o desconforto sem nenhuma recompensa material? Antes pelo contrário sabem que não podem vencer, mas, para aqueles seres especiais, vencer é cruzar a linha de chegada após percorrer 42.195 metros. O ponto de partida não poderia ser mais significativo. Arco do Triunfo, monumento que simboliza a conquista de tantas vitórias que orgulham o povo francês. Ao caminhar em direção ao ponto de concentração onde o meu balão estava - previsão de tempo entre 3:30h e 3:45h - preocupava-me em decidir se havia partir lá bem na frente ou na cauda, devido á grande concentração de atletas. Os participantes estavam agrupados segundo as estimativas de tempo definidas na época das inscrições, sendo liderados pelos homens dos balões coloridos. No meu caso, o objectivo pessoal em torno de 3:30h, deveria seguir os balões azuis. E ali fiquei, tentando localizar o meu colega e amigo Tão Moreira que havia partido 2 dias antes sem no entanto ter mais noticias dele para lhe desejar uma boa maratona,o que não viria acontecer,pois do meu amigo,nem rasto o que é natural devido á grande concentração de atletas. Fiquei na linha das toilets pois ainda faltava 1 hora mas infelizmente não cumpri o objectivo assim como inumeros colegas que diga-se de passagem eram insuficientes especialmente com tantas atletas femeninas, mas enfim! Foi dada a partida! Fiquei surpreso ao ver que as pessoas próximas corriam num ritmo regular, similar ao meu e sem atropelos. Todos procuravam correr dentro do tempo programado. E assim foi, Champs Élysées, Place de La Concorde, Musée du Louvre, Notre Dame. Tantos monumentos históricos e ainda não estávamos no km10. Eu corria num ritmo constante de 5por km min + ou -, absolutamente seguro e concentrado, sabendo exactamente onde e como queria chegar. Ao me aproximar do km15 podia ver que os balões azuis se mantinham próximos de mim. Não nos falávamos, e nem era preciso, pois cada um de nós, a seu modo, deixava transparecer a alegria, a emoção e uma forte determinação de concluir a maratona. Neste turbilhão de emoções eu pensava na família nos amigos e colegas que tantas vezes me acompanharam nos treinos e que agora, por força das circunstâncias estavam distantes. O calor ia apertando e os quilômetros iam passando! Ritmo constante. Tudo estava maravilhoso as paisagens deslumbrantes e já estávamos terminando a travessia do Bois de Vincennes, aproximando-nos da metade da corrida quando por força da natureza tive o primeiro precalço, desvio para o parque, perdi os balões azuis.Continuava firme e determinado, e assim continuei até que enfim podia ver outra vez os balões azuis que marcavam o ritmo de 5 min por km. E assim passei a meia-maratona com o tempo de 1:43:00h, com uma boa margem em relação ao meu objetivo. E os quilômetros iam passando! Já estávamos novamente na cidade e eu procurava ávidamente localizar a Torre Eiffell, pois seria uma boa referência sobre a distância que faltava, mas ela ainda não era visível. Ainda havia muitas praças, túneis e avenidas para percorrer.De repente, km 30 e lá estava ela, a Torre Eiffell, símbolo maior da cidade e objetivo de turistas do mundo inteiro. Agora eu sabia que faltava pouco, mas seriam os quilômetros mais difíceis pois o calor cada vez apertava mais. Entramos no Bois de Bologne, km 35, Começei a ver as primeiras vitimas uns caminhavam outros desistiam um claro sinal de que o ritmo havia caído, o corpo sentia o esforço devido ás mudanças de ritimo , mas a mente continuava determinada a concluir o percurso no tempo planeado.Do km 35 ao 40 corri pensando nos meses de treino na parte dificil que é madrugar todas as manhãs e que afinal o que é dificil é os treinos e não a Maratona. E os quilômetros iam ficando! Repentinamente, km 40 abastecimento e catapumba, raios parta as bananas, mas não passou de um susto, que sacrificio para recomeçar, as pernas eram de chumbo, a partir do km 41 o ritmo melhorou, senti novamente as passadas firmes e determinadas, talvez por saber que a chegada estava muito próxima, os colegas dos balões azuis ao lado e o meu objetivo seria atingido. Faltam 195 metros! Quanta euforia! Ali na frente finalmente a meta. Atrás de mim, 42 km de precalços mas tambem de garra, emoção e determinação. Foi mais um momento mágico! Um espaço tão curto e tão carregado de simbolismo, onde todas as incertezas, ansiedades e esperanças do período de preparação desfilam diante dos olhos. O corpo estava cansado, os olhos marejados de lágrimas, mas a alma estava inebriada pelas emoções vividas e pelo singular sentimento de vitória. E assim cruzei a linha de chegada! Viva la France, Viva Portugal, Viva a Maratona!!!!! Photobucket

 

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publicado por Zé às 23:05

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